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É possível ser sua própria personal stylist?

17 abr

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 crédito: Kathryn Elyse

De certo modo, sim, mas dá trabalho e talvez por isso é que essa é uma carreira cada vez mais em ascensão. Depois do nascimento da minha filha mais velha passei por uma crise de estilo que se estendeu até o pós-parto do meu caçula, o que dá um total de quatro anos quase que completamente perdida no quesito vestir meu novo e volúvel corpo. Digo volúvel porque foram tantas mudanças até aqui e mais ainda que virão, enfim…

Mas o que fiz e o que venho fazendo no período 2009-2010?

Primeiro me perguntei em que foi que mudei, não apenas no que diz respeito ao corpo mas, sobretudo, aos gostos. Há quatro anos atrás eu era mais despojada, gostava de comprimentos mais longos a despeito dos meus 1,53m , gostava mais de estampas, não usava maquiagem no dia-a-dia, não usava saltos de jeito nenhum (ok, não sou louca por saltos mas já encaro melhor), usava lentes de contato 25 horas por dia e meu cabelo era um laboratório de ideias malucas (raspei, tingi de laranja, fiz mechas verdes, tingi de cereja…)

Depois comecei a pensar sobre qual a imagem que eu gostaria  de apresentar. Daí que percebi que, sem deixar de ser eu mesma, eu poderia dar um salto no meu look de ontem apostando principalmente no corte e qualidade das coisas que uso.

Então comecei a pesquisar em revistas, em blogs, na rua. Dessa pesquisa separo o que me serve e como se eu fosse uma paper doll monto os figurinos que ficam bem em mim. Claro que esse é um trabalho de imaginação e criatividade que tanto dá pra fazer de forma virtual como montando uma bonequinha de papel de si mesma (com uma foto) e usando e abusando de recortes de revistas…

Daí descobri algumas coisas a respeito do meu estilo:

1. Gosto de um toque retrô porque gosto de me sentir feminina. Saias e vestidos dão esse quê de feminilidade que aprecio, assim como alguns acessórios: flores, presilhas, colares, broches, sapatos boneca, bordados, meias-calças. Ah, encurtei o comprimento, não muito, mas o suficiente para ficar legal e  dar a ilusão de uns centímetros a mais e passei a misturar referências retrô e contemporâneas, pra não ficar com cara de tia-avó.
2. Como não dá pra se vestir retrô sempre e porque o dia-a-dia também pede despojamento posto em jeans claro e escuro, meus tênis favoritos, o All Star, e camisetas (no geral, lisas). Mas  com uma bossa ali e acolá, pra dar uma graça.
3. Sempre gostei de peças do guarda-roupa masculino, então camisas, coletes, chapéus serão queridos forever.
4.Como não tenho mais paciência para lentes de contato, fiz óculos bacanérrimos e de ótima qualidade. E aprendi a destacar os olhos na maquiagem para valorizar o que fica por trás das lentes.
5. Agora me preparo para usar uma peça que nunca usei, mas que acho que combina comigo agora: o blazer. Mas antes de encarar o desafio minha antena está ligada aos modos de uso (as francesas dão um show no uso de blazers e terninhos).
6.Por mais auto-confiança que eu tenha, o olhar do outro é essencial. E o olhar do outro deve ser um espelho em que você possa ver o conjunto da obra (e se não tiver em casa vale subir na cadeira pra enxergar a produção completa, sim) e o olhar do outro propriamente dito, sua mãe, sua irmã, sua cunhada, sua amiga, seu namorado, seu marido, seu amigo.
7. Deixei as ideias malucas com o cabelo para trás e ele tem ficado muito agradecido.
8. Pra terminar, descobri que qualquer peça que eu vá usar usarei de um modo único, que é dado pelo tempero da minha personalidade e atitude. Por mais que eu pesquise, por mais que junte imagens, nada melhor do que minha própria ousadia pra fazer de um estilo o Meu Estilo.

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O espelho é a nova submissão feminina

3 abr

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A frase é da Mary del Priore, historiadora  e professora, em recente entrevista a uma revista semanal brasileira. Ela  toca em questões muito espinhosas no que se refere às mulheres ocidentais, entre elas de como nos deixamos manipular pela mídia e seus padrões irreais de realização, sucesso e, principalmente, beleza. Nossa autoestima é tão frágil que não hesitamos em querer o impossível, caber em calças nas quais só caberiam meninas na pré-adolescência, aparentar uma eterna juventude endurecida pelas plásticas e pelo botox, termos o bumbum mais durinho do que a vizinha do 608, a barriga mais chapada do que uma folha de papel na prensa.
Acredito que a vaidade faz parte de uma série de atributos sócio-culturais que aprendemos (ou não). Porém, mais que o verniz externo havemos que nos procupar com o que há por dentro, com as conquistas que verdadeiramente contam. Priore diz sem rodeios: A tirania da perfeição física empurrou a mulher não para a busca de uma identidade, mas de uma identificação. Daí que grande parte de nós quer ser igual à mulher irreal, photoshopada da revista. 
 
E a pressão é grande, grande mesmo. Só para dar um exemplo, depois que minha filha nasceu, não se passaram nem 4 meses e eu era praticamente ‘acusada’ de gorda por vários membros (especialmente as mulheres) da minha família, minha avó, minhas tias, até mesmo minha mãe. Hoje, passados quase cinco anos,  mais um filho e há apenas cinco quilos dos meus 48 originais, percebo ainda uma expectativa de que eu retorne a ser quem eu era, como se isso fosse possível, como se não estivéssemos mudando sempre desde que nascemos. Sim, sei que se orgulham da profissional bem-sucedida que sou, sei que admiram todas as minhas conquistas até aqui,  mas a sociedade prefere repetir em alto e bom som “sede não é nada, imagem é tudo”.
Como faço parte do rol de mulheres reais e possíveis, tento fazer da busca pela beleza uma diversão e não uma definição de mim mesma  e busco ensinar a minha filha que ela vale por quem é não pelo que aparenta ser.
E para não sair do foco desse blog, seguem os links de alguns blogs de mulheres admiráveis pelo que são, fora de qualquer estereótipo:
Leia aqui a entrevista de Mary del Priore.

Direção da imagem: Clique Diário

Corsets

31 mar

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Mulher é mesmo um “bicho esquisito”, como diz a canção de Rita Lee. Que o diga a febre de corsets (ou corselets ou espartilhos) que nos assola ultimamente. 50 anos atrás estávamos a queimar sutiãs nas praças, hoje reeditamos um histórico símbolo de opressão do corpo feminino tornando-o um duvidoso objeto de desejo. Digo duvidoso porque me impressiona muito que entre conforto e beleza a todo custo, muitas de nós optemos pelo segundo.

Não nego o apelo sensual do objeto. Que o diga a Dita Von Teese. Sim, é bonito, é visualmente excitante, especialmente porque mexe com materiais caros ao nosso imaginário: rendas, veludos, fitas, cetins. Não digo que também não o usaria, até porque já usei. Mas creio que é interessante usar quando faz parte de algo muito pontual, uma fantasia, um espetáculo, um intrumento na arte de seduzir.

Porém incorporar o corset à indumentária cotidiana acho um pouco demais. Ou  acho que seja realmente muito de violência contra o nosso corpo, sempre tão despedaçado face aos nossos desejos mais loucos de beleza ideal.

Enfim, cada um faz com seu corpo o que lhe convém. Mas nós mulheres, depois de séculos de opressão, não podemos mesmo nos dar ao luxo de não termos um olhar crítico sobre nossas escolhas. Ou temos?

direção das imagens:

1-Candy
2- Maria de Médice, em A Menina do Laço de Fita
3-Entre Rios
4. Dita Von Teese, em As Patrícias