Quem quer ser como ela?

21 abr

De vez em quando assisto a alguns desses programas de “mude o meu estilo” que pipocam na TV. Acredito que todo mundo em determinado momento da vida passou por uma mudança de estilo e se aconselhou com a mãe, a irmã, as melhores amigas ou com o último número da revista de moda predileta. A esse time de conselheiros se juntaram a blogueira menina-comum com senso estético apurado e os tais programas. E é sobre esse último que quero falar, pois há tempos me incomodam.

O que me assusta na abordagem desses programas, sejam os estrangeiros ou os similares nacionais, é que o pressuposto do qual invariavelmente partem: a de que existe um modelo ideal e homogêneo de elegância que deve ser seguido sem questionamento. O que vem depois é um festival de desrespeito à individualidade e à história de vida dos envolvidos e não raras vezes descamba no desrespeito moral, mesmo. O guru de estilo Tim Gunn num dos programas praticamente chamou a moça a qual ele “aconselhava” de vagabunda.

Nada mais constragedor, no entanto, que uma mulher pobre e maltratada colocada na vitrine e espezinhada no que resta de sua autoestima.

Me impressiona é que os programas sempre têm sucesso, inclusive com as pessoas mais rígidas e que se colocam mais na defensiva, os chamados “casos perdidos”. Se é real, eu não sei. Mas mesmo que a mudança não seja permanente e na semana seguinte  a personagem tenha voltado a vestir moleton até no casamento da rainha, a mensagem de que todos devem mudar e obedecer a um padrão de vestuário é assustadora.

Nem sempre considero que os apresentadores são péssimos conselheiros. Não é disso que se trata. Se trata mesmo é da abordagem e, sobretudo, da mensagem que passam.

Um dos melhores programas do gênero (acho que infelizmente não teve nova temporada) era o Tamanho Único, do GNT. Um tanto superficial, sim, mas que por outro lado apostava num protagonismo da personagem convidada.

Enfim, acho que quando se trata de mudar a palavra protagonismo deve estar em relevo, pois a opinião dos outros é apenas uma opinião. E como sempre digo a minha filha de 5 anos, a TV quase sempre mente. E afinal ninguém precisa ser “ela” quando pode se ser quem é, com todos os defeitos, virtudes, erros e acertos?

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Uma resposta to “Quem quer ser como ela?”

  1. dafni marchioro 24/04/2011 às 23:38 #

    Mimi, eu acho legal que eles dão umas dicas interessantes, mas não curto nada esta exposição e execração da pessoa. Eles detonam mesmo! Mas já viu que esta atitude estea presente em vários programas da TV, não só os de moda?

    Beijos, excelente texto!

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